O professor leitor
Ler é atividade fundamental na formação docente. Não só pela ampliação de vocabulário e repertório. O exercício da leitura leva à prática da interpretação, da crítica e da autotranscendência.
Blog destinado as postagens referente ao Portfólio do curso Ética, Valores e Cidadania - USP - 2012
1- Relação aluno/mundo: existe uma oposição entre os valores sociais (capitalistas) e a aprendizagem; o mundo oferece vários atrativos, e a escola? É desafio resgatar o valor do conhecimento como bem necessário e prazeroso;
2- Relação mundo/escola: o que ensinamos e o que devemos ensinar? Muitas mudanças ocorreram na sociedade atual, mas a escola parou no tempo. Mesmo bem intencionada a escola não está em sintonia com o mundo e por isto, quase nada do que se ensina no ambiente escolar tem significado para os alunos; é necessário levar e o conhecimento para fora dos muros da escola e buscar para dentro da mesma o conhecimento existente na sociedade.
3- Relação aluno/escola: cabe nesta relação questionar como a escola ensina e se ensina por que o aluno não aprende? Na maioria dos casos, as metodologias utilizadas não alcançam os interesses, necessidades ou processos cognitivos dos alunos; as práticas mecânicas, a constante tensão da relação professor aluno (indisciplina, baixa aprendizagem, falta de respeito mútuo) e a desconsideração à diversidade cultural, certamente, também são fatores que favorecem o fracasso escolar.
"Toda a relação de encontro implica apelações e respostas: convidas-me a dar um passeio por um determinado lugar e eu acedo a isso, mas indico que seria preferível fazê-lo noutro sítio. A minha resposta é, portanto, um apelo que te dirijo. O esquema que estrutura o encontro não é 'linear' (acção-paixão) mas 'reversível' (apelo-resposta). Apelar significa convidar a assumir activamente um valor e realizá-lo na própria vida. Daqui se depreende que o encontro não se dá de modo automático ao anular as distâncias e fundar uma relação de vizinhança. Exige um intercâmbio de possibilidades, e este não se dá quando os objectos se justapõem mas quando dois ou mais âmbitos de realidade se 'intercalam', i.e., tomam iniciativas conjuntamente e colaboram na mesma tarefa. Essa forma de vinculação tem de ser criada livre e esforçadamente, porque coloca determinadas condições. Se duas ou mais pessoas não as cumprem, podem conviver durante longo tempo sem se encontrar nem uma só vez" (López Quintas, 1996: 48).
“1. Encara a diversidade cultural como fonte de riqueza para o processo de ensino de ensino/aprendizagem;
2. Promove a rentabilização de saberes e de culturas;
3. Toma em conta a diversidade cultural na sala de aula tornando-a condição da confrontação entre culturas;
4. Refaz o mapa da sua identidade cultural para ultrapassar o etnocentrismo cultural;
5. Defende a descentração da escola – a escola assume-se como parte da comunidade local;
6. Conhece diferenças culturais através do desenvolvimento de dispositivos pedagógicos na base da noção
de cultura como prática social.
Pressupostos estruturantes:
• Cidadania baseada na democracia participativa
• Igualdade de oportunidades – sucesso
• Escola Democrática”
“Frente às necessidades educativas presentes, a escola consolida-se cada vez mais como lugar de mediação cultural, visando a assimilação e reconstrução da cultura. A pedagogia, ao viabilizar a educação, constitui-se como prática cultural, uma forma de trabalho cultural, que envolve uma prática intencional de produção e internalização de significados. O modus faciendi da mediação cultural, pelo trabalho dos professores, é o provimento aos alunos dos meios de aquisição de conceitos científicos e de desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas, dois elementos da aprendizagem escolar interligados e indissociáveis”.1Temos ainda em Cole(1993) que as experiências dos alunos são essenciais ao trabalho de sala de aula:
“ Daí são deduzidas as teses da mediação pelos artefatos culturais ideais e materiais da relação entre os seres humanos e o mundo físico e social, o papel dessa mediação cultural na modificação das funções mentais e o vínculo dos processos psicológicos com a atividade prática. Em resumo, “a mediação cultural e o fato de que o pensamento se funde na atividade implicam a especificidade contextual dos processos mentais”.2
“parte-se da análise das práticas dos professores quando enfrentam problemas complexos da vida escolar, para a compreensão do modo como utilizam o conhecimento científico, como resolvem situações incertas e desconhecidas, como elaboram e modificam rotinas, como experimentam hipóteses de trabalho, como utilizam técnicas e instrumentos conhecidos e como recriam estratégias e inventam procedimentos e recursos.”
“Não há um poder de pensamento único e uniforme, mas uma multiplicidade de diferentes maneiras pelas quais coisas específicas – coisas observadas, lembradas, das quais se ouviu falar, leu – evocam sugestões ou ideias que são pertinentes para a ocasião e proveitosas para as situações seguintes. O treinamento é esse desenvolvimento da curiosidade, sugestão e hábitos de explorar e testar, ao mesmo tempo em que se alargam seu escopo e eficiência.”